Em conversa com O TEMPO, prefeito de Belo Horizonte fez balanço de primeiro ano de gestão da capital mineira

Prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), completou um ano à frente da gestão da capital mineira | Foto: Flávio Tavares / O Tempo

prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União)completou um ano à frente da gestão da capital mineira. Nessa terça-feira (7/4), o chefe do Executivo concedeu uma entrevista exclusiva a O TEMPO, em que fez um balanço das atuações na prefeitura e comentou sobre os projetos para o Anel Rodoviário, entre outros temas. Coordenador da Federação União Progressista em Minas Gerais, Damião também falou sobre as possibilidades de apoio do grupo nas eleições para o Palácio Tiradentes em 2026.

Confira a entrevista de Álvaro Damião a O TEMPO na íntegra.

O TEMPO: Se o senhor tivesse que escolher uma ação de legado e o maior desafio nesse momento, quais seriam? 

Álvaro Damião: O grande legado é que a gente passou pelas chuvas, pelas fortes chuvas em Belo Horizonte e muita gente comentando comigo, inclusive alguns prefeitos em alguns eventos que eu fui. ‘Ah, Álvaro, esse ano você não teve tanto problema em Belo Horizonte, não teve tanta chuva em Belo Horizonte’. Eu falei: ‘esse é o grande barato da coisa’. Nós tivemos chuvas mais fortes do que em muitas outras épocas e tivemos chuvas tão fortes quanto aquelas que caíram, por exemplo, na Zona da Mata mineira. E, aqui, as pessoas não perceberam que tivemos essas chuvas. Por quê? Porque nós não temos mais os prejuízos que a gente tinha há quatro, cinco, seis anos atrás. Isso já é legado de um trabalho que a gente faz. Nós não tivemos um deslizamento de encosta em Belo Horizonte, uma cidade que é cercada por encostas, principalmente as vilas, as comunidades mais simples de Belo Horizonte. Nenhuma encosta, nenhum deslizamento nós tivemos. Então, isso já mostra que a gente está trabalhando, já mostra que é um legado. Então, enfrentar as chuvas em Belo Horizonte sempre foi um desafio. E por que o desafio? Por que você não sabe qual é a densidade da chuva, como ela vai cair e onde ela vai cair, e quando vai cair, porque às vezes você pensa que vai cair numa hora, ela cai em outra. Mas a gente passar pelas chuvas como a gente passou, não dá para ficar comemorando, porque Belo Horizonte também é assim, né? Você não sabe se hoje vai chover. São coisas da cidade, que quem é daqui sabe. Mas passar pelas ruas, mostrar que nós melhoramos nossa educação infantil, colocar mais crianças em creches e escolas, e nós fizemos isso em apenas um ano. não ter problemas recorrentes de saúde, apesar da pressão que tivemos no final do ano passado, dos hospitais filantrópicos, inaugurar centros de saúde em Belo Horizonte são coisas que a gente já pode marcar no nosso primeiro ano.

OT: E dificuldade?

AD: Dificuldade é entender, e eu entendo, que as pessoas querem tudo para ontem. Quando você fala que municipalizou o Anel Rodoviário e que o Anel Rodoviário será outro, as pessoas já pensam em quê? Elas pensam nos viadutos. Elas pensam no alargamento do viaduto, em cima da Antônio Carlos. Elas pensam no alargamento do viaduto do pontilhão, no Betânia, onde vários acidentes acontecem. Mas elas não sabem que foram quase mil toneladas de lixo retiradas, por exemplo, do Anel Rodoviário. E onde estava esse lixo, prefeito? Esse é o detalhe. Esse lixo estava lá, era esse lixo que fazia aquelas inundações e eu peguei uma delas. Eu lembro que no sábado, antes da eleição, no segundo turno, eu fiquei com medo. Eu estava na Arena MRV, fui ver o jogo do Atlético no sábado, e domingo seria o dia da eleição. Para voltar para casa, voltando pelo Anel Rodoviário, eu tive que pegar o Anel Rodoviário na contramão por causa do alagamento que tivemos ali próximo do Shopping Del Rey. Esse ano tivemos isso? Não, não tivemos, porque mil toneladas aproximadamente de lixo foram retiradas do Anel Rodoviário.

OT: E em relação à capina?

AD: Um dos desafios é justamente esse. Quando você fala que é simples de resolver, tudo para as pessoas é simples de resolver. Só que o Anel Rodoviário nós pegamos agora 27 quilômetros, 30 quilômetros de Anel Rodoviário. Então você multiplica porque tem de um lado e do outro a capina. Isso é um novo contrato. Não faz parte do contrato anterior. Não tinha contrato de capina no Anel Rodoviário porque o Anel Rodoviário pertenceu ao DNIT, não era a prefeitura que fazia essa limpeza. Nós estamos nos adaptando para poder fazer o Anel Rodoviário ser o que a gente quer. As chuvas que tivemos em Belo Horizonte não nos permite capinar aquilo ali uma vez por semana, porque haja dinheiro público para você capinar aquilo ali toda semana ou todo mês, porque você não pode gastar todo o dinheiro e fazer todo o investimento ali. O que nós vamos fazer no Anel Rodoviário, e uma das coisas que vamos fazer em Belo Horizonte, que eu já percebi que é falha de Belo Horizonte? São muitos os locais que tem mato alto, mas por que tem mato alto? Porque alguém plantou. E por que é que não plantou grama? Porque não plantou aquela grama menor que quando cresce, ela fica de dez, 15 centímetros? Nós vamos mudar tudo isso em Belo Horizonte. Nós vamos repaginar o Anel Rodoviário. O anel rodoviário onde você vê mato hoje, nos próximos anos, ou no próximo ano, ou quem sabe ainda esse ano, você vai ver ele todo o gramado. Nós vamos refazer o anel rodoviário. Só que isso tem que ter tempo, porque você não pode parar a prefeitura para resolver o anel rodoviário. Na mesma hora que você está falando sobre o Anel rodoviário, você tem que estar falando do transporte público, você tem que estar falando da saúde, você tem que estar falando a educação, você tem que estar falando da encosta, você tem que estar falando de um monte de outras coisas que acontecem na cidade e a cidade não pode parar. É o lixo espalhado pela cidade que me preocupa muito, todos os dias eu faço reuniões não só com o (Breno) Serôa que é o superintendente da SLU, mas com todo o corpo técnico. Nós tivemos uma reunião aqui na prefeitura com a diretoria da SLU, mas eu pedi que viessem todos os gerentes de limpeza urbana. São dez regionais, cada regional tem o seu gerente de limpeza urbana. Ele é que coordena esse trabalho na regional dele e eu queria conhecer essas pessoas. Foi a primeira vez. Tem gente que está aqui 30 anos, tem 30 anos de prefeitura, falou que nunca veio à prefeitura conversar com o prefeito. ‘O prefeito nunca me perguntou sobre lixo em Belo Horizonte, como que resolve isso. É engraçado o senhor estar falando sobre esse assunto’. Eu falei ‘pois é’. Eu ando na rua, as pessoas me cobram e as pessoas me cobram que eu também me cobro, Eu não quero e não vou dormir tranquilamente sabendo que a cidade está suja. ‘Ah, mas limpou ontem e sujaram hoje, prefeito’. Não interessa, não me importa. Sujou ontem, você limpa. Nós vamos ter que vencer na resistência. Eu não vou fazer a roda girar ao contrário. ‘Ah, eu não vou limpar porque você está sujando demais’. Não. Eu vou limpar sempre. Inclusive eu sou pago pra limpar sempre. É assim que vocês vão ter que entender a partir de agora. Vocês vão ver a cidade de Belo Horizonte. Se você passar aqui pela Afonso Pena, por exemplo, pela Praça Sete, você vai ver que as pedras portuguesas, que são as calçadas no centro da cidade, é só olhar pra baixo. Mudou. A forma como estão limpando a cidade, ou pelo menos a filosofia do Álvaro, ele está implantando. Mudou. Não é aquela pedra mais ensebada, você não sabe se ela é branca ou se ela está encardida. Antes, qual era o método de limpeza das calçadas no centro de Belo Horizonte? Era um caminhão pipa. A pessoa ficava de cima do caminhão pipa, com a mangueira, jogando aquela mangueira ali, com água, com sabão. Isso não vai lavar, amigo. Isso vai só tirar o cheiro, vai tirar o cheiro da calçada. Lavar, você não vai lavar assim. Hoje o método é completamente diferente. As pessoas estão na calçada lavando as calçadas da cidade. 

OT: Um tempo atrás, o senhor falou de aumentar radares no Anel Rodoviário para poder diminuir a quantidade de acidentes. Uma medida que foi feita na Via Expressa foi reduzir a velocidade. Isso poderia ser feito no Anel Rodoviário?

AD: Não é aumentar radar, porque quando a gente fala de radar, as pessoas têm uma impressão equivocada, que é usado muito de forma política e qual é a intenção disso? É falar que você está colocando radar, que é multa da arrecadação. O que arrecada com o radar é irrisório em relação ao orçamento da prefeitura. Tudo que é arrecadado com o radar é colocado na própria via. Você não pega dinheiro do radar para colocar em outro setor da prefeitura. Então isso é irrisório. É um número bem baixo mesmo. O que nós fazemos é controlar a velocidade. Já está sendo feito de 70 para 60, 70 para carros menores, 60 para caminhões. E caminhões pesados não podem mais utilizar a face da esquerda. Não vou permitir. Não vou permitir caminhão pesado utilizar a faixa da esquerda. A faixa da direita é para caminhões pesados. Se passar na faixa da esquerda, vamos muda. E vou multar lá de cima, do Olhos d’Água até a saída para Sabará. Caminhão tem que descer na faixa da direita, que se ele precisar, numa emergência, ele joga para o acostamento. Se ele tiver na faixa da esquerda, ele vai fazer o que nós já vimos ele fazer no pontilhão do Betânia, por exemplo, ele não tem para onde jogar o caminhão, ele joga em cima de quem está na frente dele. Nós não vamos permitir isso no nosso mandato. E os números estão aí. É só ver quantos acidentes acontecem no ano desse tipo de acidente lá. Qual foi o acidente desse tipo de acidente que aconteceu no último ano em Belo Horizonte? Não tivemos. Mas isso tem que ser na marra, infelizmente tem que ser na marra, porque se for só na educação, só na placa lá em cima, falando ‘utilize a faixa da direita’, não utiliza, não. Não tem jeito, não tem alternativa. Se eu tivesse uma outra alternativa, eu usaria. O negócio é o seguinte é colocar a placa e falar ‘se andar na faixa da esquerda, caminhão pesado vai ser multado’. Aí o cara vai jogar para a direita. Agora, se não for essa placa, infelizmente ele não respeita. O número de pessoas que perdemos no anel rodoviário, levantamento da prefeitura para vocês aqui. Nós nas dez maiores avenidas de Belo Horizonte, a prefeitura fez um levantamento nos últimos cinco anos, as dez maiores avenidas de Belo Horizonte, somadas nos cinco anos, 175 pessoas perderam a vida em acidente automobilístico nas dez principais avenidas de Belo Horizonte. Só no Anel Rodoviário, no mesmo período, 180 pessoas. Porque o nosso anel rodoviário é uma grande avenida, tem pessoas morando do lado esquerdo dele, pessoas morando do lado direito. Tem pessoas que estão vindo lá do Rio de Janeiro indo para o Espírito Santo com uma carreta não sei com quantas toneladas passando por ali e compete com uma pessoa que não utiliza a estrada, que nem sabe dirigir uma estrada. Por quê? Porque ele mora no São Gabriel e vai só até a PUC, no Coração Eucarístico. Então ele pega uma estrada daquela, porque virou uma estrada, ele pega uma estrada daquela, compete com esse caminhão sem estar preparado para competir com esse caminhão porque não dirige em estrada. O anel rodoviário Também é para deslocamento pequeno. Ele não é só para quem está passando por ali a 90, 100, 120 km por hora, não. A gente tem que entender isso, porque o que a gente quer com isso é diminuir o número de acidentes. ‘Ah prefeito, mas não tem esse número que diminuiu o número de acidentes’. Amigo, bater um carro a 60 quilômetros por hora e bater um carro a 90 quilômetros por hora é completamente diferente. Tomara que eu não precise ter número. Eu não quero ter número. É igual o seguro de carro. Você não compra seguro de carro para usar, não, gente. A melhor coisa do mundo é quando você compra o seguro do carro e não usou. Se você usou, você bateu o carro. Então não quero ter números para mostrar, esse tipo de número eu não quero ter para mostrar.

OT:  O senhor é a favor da obra do Rodoanel?

AD: Eu sou a favor de eles colocarem esse dinheiro no anel rodoviário. Nós já temos o Anel Rodoviário. Por que você vai fazer o Rodoanel se você não tem o Anel rodoviário da forma como você gostaria de ter? Se fizesse essa pergunta para o governador, para ser justo com ele, e principalmente agora com o Mateus, que está chegando agora. Se você fizesse essa pergunta para o governador a dois anos atrás, ele tinha uma resposta para te dar. ‘Eu não posso fazer nada no anel rodoviário porque ele é federal. Agora não, fala comigo. Quer fazer lá, quer consertar o anel rodoviário? Fala comigo. É governo do Estado. é governo federal, eu não tenho problema com ninguém. Eu almoço com Bolsonaro, junto com o Lula no mesmo dia, sem problema nenhum. Meu problema é a cidade. O meu problema é o povo. Eu não quero saber que lado político a pessoa está. Eu quero saber o que ela está fazendo pela minha cidade. Então eu não tenho problema nenhum, eu não politizo nada. Então, se o governo do estado quiser realmente resolver o problema ou ajudar a resolver o problema de Belo Horizonte e da região Metropolitana, invista no anel rodoviário antes de pensar no Rodoanel. O Rodoanel é para depois do anel rodoviário, não é para agora, é a minha opinião. Antes não podia fazer nada porque o anel rodoviário era do DNIT, agora pode. Quem falou isso que pode? O prefeito falou. Não viu a entrevista, não? É só ligar para ele, sentar vocês dois que vocês fazem o anel rodoviário. O senhor tem o dinheiro, eu tenho o anel estragado. Porque não junta vocês dois e faz o Anel Rodoviário, entrega isso para a população de Belo Horizonte, da Grande BH?

OT: Prefeito, recentemente o senhor conseguiu aprovar na Câmara um empréstimo de 420 milhões para ações ambientais. A oposição criticou muito por não ter, talvez, um escopo muito bem definido quais seriam as ações. Como esse dinheiro vai vir para a população?

AD: Nós vamos modernizar a cidade. Quando a gente fala modernizar essa parte ambiental de Belo Horizonte são esses lixões que nós temos muitos em Belo Horizonte. Nós precisamos de mais canteiro central para absorver água em algumas partes da cidade, para que a gente não tenha os alagamentos que ainda são poucos, mas que a gente tem. A parte ambiental é uma das que mais nos preocupa, porque ela é o trabalho que você faz, que não é político. Por que? Porque as pessoas não percebem, as pessoas percebem política em construção, quando você faz viaduto, quando você faz ponte, aí as pessoas percebem que você está trabalhando. Quando você investe um dinheiro desse no ambiental, que só vai ser colhido ao longo dos anos, as pessoas não percebem disso. É por isso que muitos não fazem. É por isso que muitos pegam esse dinheiro e fazem obras com esse dinheiro. Nós estamos preocupados com o clima em Belo Horizonte. Nós temos preocupações com as chuvas em Belo Horizonte. A cada ano que passa, piora. A cada ano que passa, aumenta o número de temporais que a gente tem na cidade. Aumenta o espaço chuvoso que temos em Belo Horizonte. Começou em outubro e até agora não acabou. 

OT: E ações práticas?

AD: São várias as ações. Tudo isso a gente manda o escopo para os vereadores. Uma das coisas que a gente não vai fazer e que fizeram comigo quando eu era vereador, eu percebia isso lá, manda o empréstimo. ‘Para que esse dinheiro? Aprova. Depois a gente vê’. Não, a gente está falando pra quê que é. Não tem como você aprovar um empréstimo que a gente está fazendo para poder resolver problemas climáticos da cidade e pegar esse dinheiro e fazer outra coisa com ele. Não tem essa possibilidade. Agora, de que forma você vai colocar isso no meio ambiente? A gente pode discutir com a população. A gente pode discutir com os próprios vereadores. A gente tem as nossas ações que a gente julga importante, que foram feitas de forma técnica pelo secretariado. A gente já tem alguns projetos que têm que ser executados. Quando a gente manda um orçamento desse para a Câmara e pede a eles a liberação de empréstimo para a gente poder resolver o problema da cidade, é porque a gente já fez alguns estudos que indicam que a gente tem que fazer aquilo não pensando só no momento, mas pensar no futuro da cidade também 

OT: A prefeitura nos últimos anos tem tido previsões de déficit. Neste ano, mais de R$ 700 milhões. Até quando houve a troca da mudança da saúde, muito se falou de um corte de 4% no orçamento da pasta. Esse corte na Saúde vai acontecer?

AD: Não, não tem corte. O que nós estamos fazendo é o remanejamento, o que nós estamos fazendo é reestruturar algumas pastas da prefeitura. E a saúde é uma das outras pastas. Nós temos que investir melhor o dinheiro que é colocado na saúde. Você tem que reajustar algumas coisas. Às vezes tem três pessoas fazendo a mesma coisa. Para que três pessoas fazendo a mesma coisa se uma só pode fazer. ‘Porque era assim’. Então quem deixou está errado. Eu não vou permitir, não, por que eu vou permitir que isso continue acontecendo? Não. Vai ter algum impacto no atendimento? Não. Vai ter pessoa chiando porque perdeu o emprego? Vai. E por quê? Você estava lá, você não acrescentava muito naquela equipe. A prefeitura não pode ficar pagando você para poder fazer o que você fazia. É só isso. Mas vai impactar aquela senhora que era atendida? Não, nós não vamos fazer nada que possa impactar no atendimento da saúde. Já mudamos o secretariado, vocês já perceberam e já mudamos o secretariado no primeiro, no segundo escalão, já fizemos algumas mudanças.

OT: Vai  ter demissão na prefeitura para poder ajudar nessa readequação, não é isso?

AD: Não é que vai ter demissão, porque quando você fala que vai ter demissão, as pessoas ficam todas apavoradas, ‘vai cortar pessoas’, não é cortar pessoas. nós vamos fazer algum, alguns ajustes na prefeitura que quem é atendido, quem tem que saber se o que a gente fez é certo ou não, é o munícipe, porque ele é quem recebe o produto que a prefeitura entrega, é ele que vai receber, é ele que está na ponta, é ele que está no centro de saúde e ele vai perceber que não mudou nada para ele. Para mim, não mudou nada. Se ele fez alguma coisa aí e conseguiu reduzir o déficit da saúde, parabéns para ele, porque ele fez e no atendimento que tenho, nada mudou. E assim tem que ser em qualquer lugar. Isso não é na saúde, não, é na saúde, na educação, no setor de obras. Eu não posso permitir que fique 15, 16 pessoas num departamento fazendo o trabalho que quatro, cinco pessoas possam fazer. Eu não vou permitir isso na prefeitura. Primeiro ano foi para você fazer uma análise disso tudo. Você não vai chegar aqui fazendo as coisas na sua cabeça. Você tem que analisar isso tudo. Agora já é hora da gente começar a fazer algumas mudanças 

OT: Existe possibilidade de mudança no que mais pressiona a prefeitura hoje, que é o subsídio pago para as empresas de transporte? Não é o vilão das contas públicas?

AD: Ele é o vilão. Mas o que você quer que eu faça? Que eu fique reclamando do governo anterior? ‘Ah o governo anterior não tinha R$ 1 bilhão por ano a mais para poder pagar’. Eu não tinha esse boleto. Eu vou ficar falando isso toda hora? O povo quer saber disso? O povo quer saber se eu vou fazer resolver ou não. E eu já sabia disso também. Quando eu entrei aqui, eu já sabia que tinha subsídio, inclusive eu estava na Câmara quando eu votei. Então eu já sabia. ‘Por que você votou? Por que existe subsídio?’ O subsídio existe porque o sistema, o transporte público está aqui. Ele tem que funcionar. Para ele funcionar Tem um custo. O custo de hoje é praticamente, em percentual, o mesmo de dez anos atrás, de 15 anos atrás. O ônibus é o mesmo tamanho Praticamente, o número de litros de diesel que utiliza é praticamente o mesmo. O motorista está lá para poder dirigir, a garagem está lá para ele poder estacionar. O fiscal está lá para poder fiscalizar. Está tudo lá. Só que o que é que mudou nesses últimos anos? As pessoas passaram a não andar tanto de ônibus mais porque vieram os aplicativos. Tem moto por aplicativo, diminuiu o número de passageiros, diminuiu o número de passageiros de pessoas que passam pela catraca. e o dinheiro para poder repor isso? alguém tem que pagar. Aí você vai colocar a passagem a R$14. 

OT: Mas com que equilibrar essa questão do subsídio com as contas públicas, com criação de um imposto municipal, repasse do governo federal?

AD: Repasse do governo federal. Eu acredito muito nisso. Eu conversei pessoalmente com o presidente Lula. Eu apresentei para ele uma proposta de nós criarmos no Brasil o SUS do transporte público. E tenho visto que ele já está dando declaração, inclusive, usando o mesmo termo que eu falei para ele, o SUS do transporte público. Eu já vi essa frase sendo usada, esse termo sendo usado em algumas entrevistas dadas por ele e pelos ministros em Brasília. Por quê? Porque é o governo federal que tem condições de fazer isso. É ele que pega a maior parte do imposto que é arrecadado no município. É ele que leva isso para Brasília. Então é ele que tem que arcar com isso, porque quem sofre com o transporte público é o munícipe. O ônibus está na cidade, seja a cidade de Belo Horizonte, seja Varginha, seja Sabará. O ônibus está na cidade. Agora, quem vai financiar isso é a cidade? Esse é o problema. Não, não pode ser a cidade. O munícipe não pode financiar o transporte público. Ele é muito caro. Antes conseguia fazer. Por quê? Porque o número de passageiros que tinha antes era muito maior ‘ah prefeito mas diminuiu porque o atendimento não é lá grandes coisas’. Não, não foi por isso. é porque nós estamos numa nova era de aplicativo, nós estamos numa época de moto por aplicativo. Mudou-se demais, e nós temos que acompanhar essa mudança. Então esse dinheiro vai voltar atrás, vai deixar a prefeitura em algum momento ela vai deixar de pagar subsídio de 900 milhões por ano para as empresas de transporte público em Belo Horizonte? Não acredito nisso, porque para você parar de pagar, alguém tem que pagar. E quem é que vai pagar? o passageiro? Ele vai pagar? Aí você vai passar a passagem para quanto? Para R$14?, aumentando R$ 0,50 praticamente no final do ano? E vocês viram o que é a dificuldade que é para você aumentar R$ 0,50 e R$ 1 na passagem, porque isso vai direto no bolso da pessoa e se você não fizer esse aumento, aí dispara completamente. Aí passa de 1 bilhão, porque alguém tem que pagar.

OT: A inadimplência segue alta? Ela aumentou? Porque tem impacto.

AD: Tem impacto. Não é que aumentou até porque não cabe tanta gente ali na frente do ônibus, sabe? E as pessoas têm que passar por ali porque tem que ir lá para trás. Não dá para você congestionar completamente aquilo ali, porque as pessoas tem que passar, tem que ir lá para trás. 

OT: Como está a licitação do novo modelo do transporte público? Já tem um modelo proposto?

AD: Já estamos fazendo. A gente não para de falar disso, aqui na na prefeitura a gente fala todos os dias desse modelo. Não é um negócio que você faz assim você pega um modelo e copia. Eu estive em Curitiba há duas semanas atrás conversando com o prefeito de Curitiba. Hoje eu estou na diretoria, na Frente Nacional de Prefeitos, justamente a diretoria que trabalha com mobilidade urbana no Brasil inteiro. Então eu converso com os outros prefeitos para poder ver o que fizeram lá, que deu certo ou que deu errado. O que eu já posso copiar, o que eu não devo copiar. Mas a gente está fazendo tudo bem devagarinho.

OT: Dá para adiantar algo do que a gente pode esperar?

AD: Com certeza vai ser muito melhor do que é agora. Acabar com o subsídio não é justo eu chegar para as pessoas e dar a impressão que isso vai acontecer porque não é assim que vai ser feito. O subsídio vai acabar quando ele for assumido por outra pessoa. Não é acabar com subsídio, acaba com subsídio o cara pagando o ônibus. É simples, a conta é matemática, não tem conversa. São 2500 ônibus aproximadamente, mas vão colocar o número fechado, 2500 ônibus andando em Belo Horizonte. Para esses 2500 ônibus operarem da forma como estão operando hoje, passando nos horários que eles estão passando hoje você paga X. Que X é esse? É o dinheiro da catraca mais o subsídio da prefeitura Para bancar esses 2500 ônibus. Se você não quer pagar o subsídio, não tem problema, eu diminuo o número de ônibus. É conta simples. E aí eu passo para quanto? Para 1000. Com mil ônibus eu vou atender a população de Belo Horizonte, aí é um desastre. Deus que me perdoe. Aí é um desastre. Se hoje não consegue atender do jeito que as pessoas gostariam, você imagina atendendo com a metade de um ônibus que temem Belo Horizonte, os ônibus de Belo Horizonte , a maior parte deles, 90% da frota, são um ônibus novos, Tem problema com alguns ônibus? Tem. É claro que tem gente, Mas é só a pessoa lembrar que são 2500 ônibus, não são 50 ônibus. Se você teve problema com dez ônibus no universo de 2500 ônibus rodando a cidade, você não está tendo problema no transporte público. Se você teve atraso na linha, mas o problema é a linha que você atrasou, aquela pessoa vai ficar chateada. Então eu penso nessa pessoa. Quando eu discuto com Cetra e eu discuto muito. ‘O percentual é pequeno’. Amigo, esse percentual tem que ser zero, porque a pessoa que está sendo prejudicada, ela está revoltada comigo. Então você resolva esse problema, arruma um jeito de passar lá no horário que tem passar e para de ficar dando essas bicicletas nos horários.

OT: Você não tem fiscalizado, por exemplo, se no domingo, feriado que tem  a catraca livre, se as viagens foram reduzidas ou foram mantidas?

AD: Foram mantidas. A gente está fiscalizando, a gente fiscaliza tudo. A nossa secretaria pega no pé do Cetra e quem está aqui dentro sabe. 

OT: E não acaba estreando na Justiça?

AD: Isso aí também é normal. Eu não posso obrigar a pessoa a pagar sua multa, mas uma hora tem que pagar. Agora, ele entrar na Justiça porque ele acha que ele não deve ser multado é com ele. Mas com a certeza absoluta, nós estamos multando porque nós temos a certeza que tem que acontecer a multa. Nós estamos multando na nossa cabeça, não. Dificilmente vai conseguir ganhar uma ação contra a prefeitura na Justiça, porque nós temos todas as provas para mostrar que nós multamos porque você não cumpriu o contrato e ponto final.

OT: Prefeito, falando sobre essa questão ainda de orçamento, na escassez de recursos, a prefeitura assumiu as contrapartidas que seriam do Atlético ali na Arena MRV. Nessa questão de escassez de recurso, essas obras são prioritárias para a prefeitura?

AD: Todas as obras ali, todas as obras ali que é a prefeitura assumiu elas são da prefeitura, são obras da prefeitura. Eu acho que aí já é só opinião. Eu não era prefeito na época. O que o Atlético fez para Belo Horizonte, a contrapartida é o estádio, gente, A contrapartida é o estádio. A contrapartida é o número de pessoas que trabalharam para a construção do estádio e que trabalham ali no dia a dia. Essa é a contrapartida de quem quer empreender. E qual era o problema de Belo Horizonte ou um dos problemas que eu estou mudando? Mas aí a sua opinião. Eu faço assim. O outro prefeito fazia assim. Ele tem o direito de fazer, eu tenho o meu direito de fazer. Para mim, empreendedor não é sócio da prefeitura. A prefeitura não pode ser sócia de quem quer empreender na cidade, porque o que aconteceu nos últimos anos afastou, afastou aqueles que querem empreender na cidade. Porque ao invés de você incentivar a pessoa a fazer um estádio daquele, ao invés de você incentivar a pessoa a construir um prédio na cidade… só cobra. Cobra isso dele. Cobra aquilo. Aí o cara fala: sabe de uma coisa? Eu vou é construir lá em Recife, irmão, fica você com a sua cidade. Aí eu vou fazer o Porto Maravilha no Rio de Janeiro. Quem está fazendo? Uma construtora de Belo Horizonte. As maiores construtoras do Brasil são de Belo Horizonte. Tiraram os caras daqui. Deixaram eles ir. Por quê? Porque na cabeça das pessoas que dirigiam a cidade, tem que ser sócio desses caras. Tem que ser sócio deles. A prefeitura não. A prefeitura tem que incentivar. Quanto mais tivermos, mais imposto tem. A prefeitura tem que gerir impostos. Se a pessoa quer fazer uma corrida na Avenida dos Andradas, na orla da Lagoa da Pampulha. Eu olhei essa planilha porque eu fui procurado por uma empresa que fez um evento desse. Ele me mostrou e falou prefeito, olha aqui, olha o que eu estou mostrando, a sua planilha da corrida que nós fizemos. A prefeitura ganhou mais que todo mundo, a prefeitura ganhou mais que eu organizei o evento. As taxas que vocês cobram. É certo, Isso não é certo não. Eu tenho que incentivar a pessoa fazer um evento na cidade. Eu tenho que incentivar a pessoa, fazer uma corrida, Ele tem que ser sócio dele, não é? Em Belo Horizonte era assim Você quer fazer uma arena? Quero. Quanto custa a Arena? 1 bilhão? 300 milhões da prefeitura? Você quer que eu faça? Você está falando para não fazer. Só fizeram porque são apaixonados pelo clube. Por isso que fizeram. Porque se não fossem apaixonados pelo clube, teria feito não. Não vou fazer um negócio desses. Tá ficando doido.

OT: Nessa linha das construções, tem esse projeto da revitalização do centro e bairros próximos. Inclusive o seu Concórdia, que foi retirado desse projeto após, acredito, ter sido uma pressão da população. A crítica e disseram que essas construções ele acabaria com o centro de Umbanda que tem ali, a Pequena África. Eu sei que o senhor conversou com o pessoal. Por que decidiu retirar?

AD: Porque as pessoas não querem o que a gente sente. A gente sentiu claramente essa resistência. O que eu acho é a opinião só de um morador também, porque eu também sou morador de lá. Eu nasci lá. O que eu acho é que no futuro eles vão, eles vão perceber que eles deveriam ter estado dentro do projeto, porque eles vão ver o crescimento dos outros e eles vão ver o crescimento desses bairros que estão ali no entorno. Se você olhar para a Lagoinha daqui a três, quatro anos, se Deus quiser, o que a gente pensa para ela, você vai ver um outro bairro, você vai ver um bairro onde as pessoas moram. Ali você não vai ver aquele monte de casebre abandonado, a Lagoinha é um monte de casebre abandonado. O bairro Concórdia é um monte de casas em lotes. Não tem prédios, não são raros os prédios que tem na Concórdia. Porque? Porque não pode construir. Você não tem, não tem como construir ali. A lei não permite. O que nós queremos mudar é isso. Agora é a pequena África. Eu expliquei para eles, falei gente, se tem alguém que vai cuidar disso aqui, sou eu, nasci aqui, eu tenho história com vocês, eu tenho raízes aqui. Não vou deixar nada disso acontecer. É óbvio que não vai acontecer. Agora, se a pessoa tem o centro lá, o centro espírita num lote lá na Tamboril, aí a pessoa vai falar sabe uma coisa? Eu recebi uma proposta boa eu vou vender. É  direito dela. Eu não posso impedir ela que ela faça isso não, por que na sua cabeça ele tem que manter o lote lá. Pera aí, eu tenho o lote aqui e você, me ajuda em quê para manter o lote aqui? Qual é a sua participação nisso? Nenhuma. Eu só acho. Eu só acho. Você acha da sua cabeça. Então você ia dar liberdade às pessoas de tomarem essa decisão. Mas não significa dizer que as pessoas iam comprar não. Eu quero é esse terreno aí eu vou, comprei esse terreno, não vai comprar se a pessoa quiser.

OT: A última vez que o senhor conversou com a gente, o senhor falou até de prédios de 50 andares. Mas passado um ano a gente viu poucas mudanças nesse sentido. O que está travando?

AD: Esse é o detalhe. É muito legal você perguntar isso. As pessoas querem um prédio de 50 andares em um ano, sabe? Um prédio verdadeiro? Você está mudando uma lógica na cabeça das pessoas. Você não está mudando a cidade, está mudando uma lógica na cabeça das pessoas. Você teve um ano, Álvaro, nesse um ano você implantou uma filosofia de trabalho, você implantou uma filosofia de gestão para a cidade e é isso que você vai colher nos próximos anos. Mas não significa dizer que nós vamos ter um prédio de 50 andares em um ano, que nós vamos ter os viadutos do Anel Rodoviário em um ano. Não é assim que vai acontecer. Sobre o prédio de 50 andares, a pessoa ama quem vai morar lá. Gente, toda metrópole tem. Toda  metrópole. Eu só quero permitir que Belo Horizonte também tenha. Não significa dizer que vai ter prédio de 50 andares, espalhado pelo centro da cidade. Tudo quanto é lugar. Não. Até porque só vai, só vai construir um. Mas se você for em qualquer metrópole, de qualquer capital do país, você vai ver isso. E a gente não pode permitir que Belo Horizonte ficasse como estava parado no tempo. É só isso. É uma mudança de filosofia. Agora, você não construiu o prédio 50 andar também tem problema, não. A obra tem 49 andares. Não bater a meta daqui. Meta. Quem falou que se meta gente, Quem falou que isso é meta? Quem falou que tem que ter prédios, andares, só o número Que prefeito assim? Eu na hora podia ser 49, podia ser 30 vezes a 35, podia ser 65 andares. São vários. Eu fui agora recente, 80 andares, 80 andares na China. Então, só isso não significa dizer que ou quando fizer o prédio de 50 andares mostra que a cidade modernizou. Não. A filosofia do prefeito mostra que Belo Horizonte está preparada e aberta para isso. Apenas isso. Eu não tenho construtora e não é a minha área.

OT: Aliás, o senhor citou a China, que neste momento tem uma uma missão da prefeitura lá na China já e é a segunda em menos de seis meses na China.  A sua preferência por negócios por conhecer ideias é pela China?

AD: É porque a maioria das coisas tão acontecendo lá. Eu recebi um convite agora devo em maio de novo, já antecipo para vocês em maio de novo para a China. As coisas que a gente está vendo lá e que eu vi lá, infelizmente, inclusive, depois que termina as reuniões, a gente senta o nosso grupo de secretários que estão numa missão como essa para a gente poder falar, debater o que a gente viu. A gente sabe que muitas das coisas que a gente está vendo ali a gente não vai ver recente no Brasil. Mas a gente sabe que muitas das coisas que a gente está vendo ali, a gente já pode trazer as câmeras que nós vamos trazer da China são câmeras de última geração. Elas fazem coisas absurdas, que se contar aqui às vezes a pessoa acha que é mentira. Faz não, nós não existe isso não existe, não tem joystick não, amigo. O Coppe, que é o Centro de Operações de Xangai, Xangai, quase 20 milhões de habitantes. Se você for lá agora, deve ter umas 50 pessoas trabalhando lá. Se você for no de Xangai, são três pessoas, não tem aquele monte de gente trabalhando e você fica vendo seus computadores assim, parado, olhando o joystick, que fica se mexendo sozinhos as câmeras, elas vão procurando. Lixo, a câmera que detecta não tem um chamado. Você não precisa ligar para lugar nenhum não. A câmera identifica o lixo, ela fotografa o lixo, ela abre automaticamente um chamado na empresa que presta aquele serviço e começa um cronômetro rodar, porque ela já tem o tempo que você tem que gastar para poder retirar aquele lixo na hora que você quiser. E se você não retirar naquele tempo, não paga por aquele serviço. Então são muitas as coisas que estão acontecendo lá. São muitas as coisas que infelizmente a gente não tem. E se você quer pensar numa cidade moderna, se você quer pensar numa cidade boa, que possa oferecer essas coisas para o seu povo, você tem que buscar onde tem. É o caso da China. Você tem grandes empresas. Nós não queremos ônibus elétrico?

OT: Não tem medo de te chamarem de comunista?

AD: Por quê? Eu sou comunista porque eu fiz Olimpíadas de Pequim? E eu não era comunista, não? Então, quer dizer, quando eu fiz a Olimpíada de Pequim 2008, era o que? Ah, não é porque você não era político. Ah, então tá político, entrou na China, é comunista? Ah, entendi. Quando eu era jornalista e fiz Olimpíada 2008, não era condição. Porque vocês não falaram em 2008, quando eu fui lá, aí eu não era não, que eu tenho que parar com isso. Ninguém, ninguém aguenta mais. Essa política é chata pra caramba e você vai me desculpar, mas esse trem é chato pra caramba. Eu sou nada, irmão, Eu sou nada. Eu vou para Israel, eu vou para a China, eu vou para onde tem tecnologia para buscar para o meu país. Mas na cabeça de muita gente assim, né? Por quê? Porque aqueles que vivem dessa política, nos plenários principalmente, eles utilizam isso aí pra tentar ligar você a ideologia que ele é contra ele nunca liga você a ideologia que ele é a favor, ele sempre liga você a ideologia que ele é contra. Se você vai para Israel, você não viu ninguém da direita em Belo Horizonte criticando. Por quê? Teoricamente, essa ideologia é a favor. Se você vai para a China, eles ligam você a ideologia porque é contra. Isso é politicagem. O povo está cansado disso. Eu enfrentei isso na Câmara, enfrento isso com essa naturalidade aqui, converso com todo mundo, todo mundo na rua me pergunta: Damião, você é Lula ou Bolsonaro? Irmão, não sou Atlético nem Cruzeiro. Eu sou, eu sou pago para narrar jogo, eu sou pago para transmitir futebol. Eu transmito emoção. Você me ouviu a vida inteira. Então você sabe que o gol do Alex para mim, em 2003, e o gol do Alecsandro em 2013. Quem ouviu você pegar os dois gols lá fala Pô, pera ai, esse cara é o quê? Deixa eu pegar o gol do Alex em 2003 com ele e deixa eu pegar o gol do Hulk com ele. Eu quero ver se você consegue distinguir que aquele é para você. Não vai fazer. Sabe por quê? Porque ele nasceu assim. Ele faz isso. Ele era vendedor de emoções no rádio e agora na política? Na política eu sou o povo. Não existe povo de direita e povo de esquerda. Povo é povo. Eu não faço ônibus para a direita, nem ônibus para a esquerda. Eu não faço. Eu não dou permissão para abrir açougue para direita e açougue para a esquerda. Eu dou permissão para abrir açougue. Eu dou permissão para abrir a padaria. Eu não quero saber se a padaria vai atender direita, vai atender esquerda porque o povo não é de direita nem esquerda. Pessoas utilizam direita e esquerda para debater política. Eu não entro nisso. Definitivamente não sou contra quem entra. Não está. Cada um faz o dele. Eu faço o meu graças a Deus, Graças a Deus frequento estádio, vou na geral, vou na arquibancada, vou na cadeira e não tem um senão uma pessoa que para. Por quê? Porque você não se polarizou nessa polarização chata pra caramba que ninguém aguenta mais. Acho que os caras que são polarizado não aguenta mais. Mano, porque você ficar defendendo quem defende? Tem hora que o cara defende indefensável só porque é do lado dele e defende o indefensável. Para meu irmão, você. Tá todo mundo vendo, Você tá errado, mas você não você. Se eu falar que eu estou errado, estou morto. Como você vai falar que o gás do povo é um projeto ruim? Você tem ideia do que significa isso para pessoa pobre que mora numa favela de Belo Horizonte? Você vai falar que esse projeto é ruim? Vou. Por quê? Porque é do Lula. Não é ridículo que tem mais. Sabe? Sem pé nem cabeça você vai falar que uma ação do presidente Bolsonaro que ele tenha feito que porque ele fez aí você vai falar que é ridículo só porque foi um presidente de direita que fez?  Você tem que olhar o que é bom, o que as pessoas fizeram de bom tanto para um quanto para o outro. Eu olho assim.

OT: Falando sobre política, recentemente, o senhor não compareceu à posse do governador Matheus Simões, mas depois o senhor até encontrou com ele ali na renovação da Copasa. Como que tem sido? Acha que a relação vai ser diferente do que com o Zema, até pelo perfil? 

AD:  Na verdade com o Zema não teve relação. Não é perfil, não é nada disso. Eu não tive relação com o Zema. Também não posso cobrar disso não, porque fiquei um ano aqui na gente. Eu estou aqui tem um ano. Como você vai cobrar, você tem a relação. Eu fiz a minha parte, eu fui lá no Palácio, lá na Cidade Administrativa, eu visitei o governador, eu mostrei para ele as demandas de Belo Horizonte, eu fiz convites para ele, eu convidei o governador para andar comigo na Praça Sete, Falei,  governador, o senhor  tem que andar na Praça Sete. A capital do estado só mora aqui. Nunca vi uma foto do senhor na Praça Sete. O senhor tem que almoçar no Café Palhares. O senhor não vai esquecer que lá mais não está. Eu fiz meus convites, eu convidei. Eu não tenho problema nenhum.

OT: Por que o senhor não foi na posse? 

AD: Não, porque você tem compromisso aqui e você é prefeito da cidade. Eu tenho certeza também que ontem teve um evento do Tribunal de Justiça do presidente do Tribunal de Justiça. Seria muito importante que eu tivesse lá. Mas eu estava num evento na Câmara que era para durar duas horas e durou quatro.  Como você vai fazer isso? Vai sair durante o evento? Então é só isso. Tenho certeza que o governador Matheus Simões, que eu gosto muito dele, meu amigo, que ele entendeu e sabe, fui no pós por causa de gente. Eu estava num evento lá do União Brasil. Eu estava no evento União Brasil do PP, na filiação dos deputados federais do União Brasil do PP.

OT: O senhor foi nomeado como coordenador dessa federação. A gente vê  o Ciro Nogueira já declarando apoio ao Mateus Simões. O António Rueda, por outro lado, o presidente do partido, o senhor não tem dado sinais claros. Na avaliação do senhor,  como coordenador da Federação, quem que a Federação tem que apoiar? Mateus Simões, Pacheco, Cleitinho…

AD: A Federação em Minas Gerais… esse acerto do Ciro com Rueda, eles definiram os Estados. No Estado A é assim no Estado B vai ser assim… quem coordena a federação no Estado X é o PP, quem coordena a Federação no Estado Y é a União Brasil. Eles vão definir isso previamente. Quem coordena a Federação em Minas Gerais é o União Brasil. Quem coordena a Federação Minas Gerais é o União Brasil. Definição não é minha não. Definição dos presidentes de PP e de União Brasil. Nós não vamos definir agora. Não tem por que definir agora, até porque estão. Tem candidato que não sabe nem se candidato vai.

OT: Então não é certeza apoiar o Mateus Simões? 

AD: Não é certeza, não é. Mas ele sabe disso. Eu já conversei com ele sobre isso. 

OT:  Ele dá como certo esse apoio, não é prefeito?

AD: Todos querem o apoio do União Brasil, todos querem o apoio do PP, todos querem apoio de uma federação do tamanho da nossa, sabe? Mas nós estamos estudando quem vai ganhar, quem está na frente? Não. Quem fez uma proposta para Belo Horizonte? Nós temos um projeto para Belo Horizonte, se eu for governador do Estado, vou te mostrar o meu projeto em Belo Horizonte. Faz essa pergunta para mim que eu ficava O que eu fiz por vocês? Quem tem que responder sou eu.

OT: Passa por aí então, prefeito? 

AD: Claro que passa. Aí eu tenho que olhar o que interessa pra Belo Horizonte. Eu tenho que olhar o que interessa a minha cidade. Qual é o projeto? Eu vou apoiar um governador que eu vou continuar do mesmo jeito com a saúde deficitária, porque o Estado não põe o dinheiro aqui, só põe que a lei obriga mandar que o anel rodoviário está lá, vou ter que fazer oito intervenções grandes nele e não tem 1 R$ do Estado. Eu tenho que asfaltar a Cristiano Machado onde passa o ônibus do Move Metropolitano, não tem 1 Real do governo do Estado. Eu tenho que asfaltar a Antônio Carlos que passa o Move metropolitano e eu não tenho 1 R$ do governo do Estado. Eu estou fazendo a trincheira na região norte de Belo Horizonte, que vai desafogar inclusive todo o vetor norte.E aí não é Belo Horizonte, aí já é É Vespasiano, é Santa Luzia, é Lagoa Santa, não tem 1 R$ do Estado. Que parceria é essa? Eu quero saber, eu quero saber. Eu quero saber qual é a parceria que você tem pra propor para a cidade? Eu vou olhar o que é melhor pra Belo Horizonte e os presidentes Ciro e Rueda me deixaram à vontade para fazer isso aqui na capital, aqui no nosso Estado, não na capital. Olha o que é melhor para Belo Horizonte, para o Estado de Minas Gerais e a gente vai conversar. 

OT: Já tem alguns nomes, do Mateus Simões, do Cleitinho, possivelmente do Rodrigo Pacheco, Gabriel Azevedo. Como você tem visto, esses nomes?

AD: Eu acho que até agora o que pode falar mesmo é o Matheus Simões, que esse já mostrou que é candidato. Os outros estão falando que são candidatos e alguns outros nem falam que são candidatos. Rodrigo por exemplo, você, a gente acha que vai ser, mas ele mesmo não confirma ele ser candidato ou não. Então tem que esperar. Essa pressa, e, para ser sincera, eu falo, eu falo muito isso pensando em quem está me assistindo e em quem está me ouvindo. O povo não quer nem saber disso. Hoje, quem quer saber disso é nós aqui e vocês. O povo não quer nem saber quem que eu vou apoiar. O que ele quer saber é se eu vou ter condições de fazer o que eu quero fazer na Cristiano Machado,  na Antônio Carlos, lá na Via do minério, no Anel Rodoviário, no Centro de saúde, na escola. Se eu fechar um acordo, que eu possa melhorar a vida dessas pessoas que frequentam esses lugares, é o que ele quer saber. Ele não quer saber se é da direita, se a da esquerda. A maioria eu acredito que não quer não.

OT: Hoje a Federação tem um candidato ao Senado, que é o Marcelo Aro. Essa candidatura se mantém ali pela Federação independente de qual for a aliança, ela está garantida?

AD:  O Marcelo a gente conversa muito. Marcelo, eu tenho um compromisso com ele e já falei isso em várias oportunidades. Falei com o presidente Rueda, falei com o presidente Ciro, mas esse compromisso é meu, Álvaro, não é compromisso da União Brasil. E eu já falei isso com compromisso meu com ele. Ele é um dos meus senadores. Eu vou apoiar o Marcelo Aro. Grato a tudo que ele fez por mim no meu primeiro ano de mandato e o que ele faz por mim durante o meu mandato. Que é muito importante você ter as pessoas do seu lado e essas pessoas que podem decidir. É muito importante para quem quer sentar numa cadeira como essa que eu sento. Então o Marcelo Aro, ele sabe que ele tem o meu apoio. Ele é um dos senadores que eu vou apoiar. Qual é o outro? Como dizia Adilson Batista. Vamos aguardar.

OT: Esse apoio passa pela famosa Família Aro, que apoia o senhor hoje na Câmara? 

AD: Isso também. Isso. Na verdade, a gente nunca teve problema, não. A gente sempre foi amigo. Desde que o Marcelo era vereador, nós nunca tivemos problema nenhum. Aquilo ali foi a eleição de Casa, a gente, isso aí é normal, você ter uma disputa, aí acabou a disputa, acabou a disputa, ele mostrou claramente que aquela disputa ali acabou naquele dia e eu também mostrei. Hoje a gente tem uma parceria que é muito boa, que eu tenho as condições que eu tenho, por exemplo, na Câmara de Vereadores e aí eu sou grato também.

OT: Prefeito, nacionalmente, a Federação União Brasil e PP tem mostrado mais um alinhamento para direita e esse deve ser o posicionamento do senhor?

AD: Esperar a Federação definir primeiro em Brasília o rumo que ela vai tomar em relação ao presidente da República. Não significa dizer que em Minas Gerais nós vamos para outro lado. Não. Converso muito com Rueda, converso muito com Ciro. A gente tem conversado quase diariamente. Vamos aguardar quais são as definições que vão vir de Brasília e, claro, mostrar para eles o que a gente pensa para Minas Gerais e para Belo Horizonte. Eu acredito que o que a gente falar, que a gente pensa para Belo Horizonte, para Minas Gerais, a gente terá o apoio deles. 

OT:  Recentemente surgiram informações de que o PSD não estaria muito satisfeito com a participação na prefeitura, lembrando que o prefeito Fuad era do PSD. Tem alguma indisposição com o PSD?

AD: Nenhuma. Nada. Nunca teve. Conversei com todos os partidos, com todos os partidos. Os três vereadores do PSD são da base. Nossa da Câmara, os três vereadores. O Cássio, que é o presidente estadual do partido. A gente tem uma relação muito boa, não tem problema nenhum com o PSD. O Kassab veio no velório do Fuad. Conversei muito tempo com ele. É uma pessoa que eu admiro demais, uma cabeça política assim, ele está muito à frente. O que ele pensa politicamente dos outros. Ele é muito avançado no que ele pensa.

OT: Mas o PSD participa da prefeitura, da gestão?

AD: Claro, participa, claro, participam os vereadores. Os três vereadores do PSD são da base, participam de alguma forma, assim como os outros também participam. A prefeitura não é do prefeito Álvaro Damião não. A prefeitura também são alianças, a prefeitura… o que eu faço aqui também é manter os compromissos firmados pelo Fuad. Aqueles que eu tenho conhecimento e todos os compromissos que o Fuad fez, eu mantenho.

OT: Mas a equipe do Fuad você tirou praticamente toda. 

AD: Quando as pessoas falam núcleo duro, são as pessoas de confiança do Fuad, o meu chefe de gabinete tem de  uma pessoa que eu já conheço há muito tempo. Não desmerecendo quem estava, eu gosto muito dele também, né? O meu secretário de governo tem que ser uma pessoa que já esteja comigo há mais tempo, que conheça a minha cabeça, porque ele vai ser a minha cabeça lá na Secretaria de Governo. Ele vai ser a minha cabeça na chefia de gabinete. Quando ele falar com o secretário, o secretário já sabe, fala É o Álvaro que fala assim. Então é isso, realmente. É só isso. As mudanças que nós fizemos no início foram essas e e muitas das mudanças que foram feitas também, ou algumas dessas mudanças, eu estava com gente, poderia fazer algumas delas o próprio Fuad iria fazer e eu sabia que ele ia fazer, porque foi ele que me falou. A gente sentava para isso aqui, eu vou fazer isso aqui, eu vou mudar isso aqui, isso aqui, eu quero assim, fazer isso, assim ele me consultava, a gente conversava sobre. Sobre a prefeitura para além de janeiro. Ele falava muito disso comigo.

OT: Ontem, na prestação de contas alguns vereadores reclamavam de falta de diálogo com a prefeitura. A prefeitura está aberta realmente a ter diálogo com todos?

AD: Essa crítica normal sempre teve. Todos, sem exceção. Todos e todas as vereadoras e vereadores da Câmara já foram recebidos por mim aqui na prefeitura. Diferente, diferente, diferente de outros mandatos. Porque eu me lembro que eu para entrar aqui demorou muito. Eu vi, eu que trouxe vereador aqui, que nunca tinha entrado aqui no prédio, eu trouxe vereador aqui, que nunca tinha entrado aqui no prédio. Então era assim, hoje não. Hoje todos os vereadores já estiveram aqui. Pode não ter tido, não estar aqui da forma como ele imaginou, uma vez por semana ou todo dia, porque a gente não tem como atender a agenda assim. Mas todos, sem exceção. PL, PT, Psol, PSB, todos os partidos, todos os partidos, todos os vereadores, sem exceção nenhuma, já estiveram aqui. 

OT: Prefeito, queria agradecer a presença do senhor. Muito obrigado por ter recebido a gente aqui hoje. 

AD: Eu que agradeço. É muito bom falar para vocês, porque a gente sabe que utilizar esse canal que vocês têm a força que vocês têm para poder chegar nas pessoas em Belo Horizonte e usar a comunicação para isso, para poder chegar e falar para o povo de Belo Horizonte com muita tranquilidade, que o nosso primeiro ano não é um ano, eu entendo as pessoas quando cobram tem que fazer isso, tem que fazer aquilo. Claro, todo mundo quer que faça rápido, porque Belo Horizonte tem pressa. Mas pode ter certeza que você tem uma pessoa que trabalha 24 horas pensando em melhorar a vida das pessoas na cidade sou eu e a gente está trabalhando muito. O primeiro ano foi muito de aprendizado, foi de colocar algumas coisas da forma como a gente imaginava que tinha que acontecer e implantar uma nova filosofia na cidade. E a gente está conseguindo fazer isso. Quem está no posto de saúde, quem tá na EMEI, tem que atender bem quem vai lá tem que atender as pessoas bem, eu tenho que olhar o lixo da cidade, eu tenho que olhar o trânsito na cidade. Ah, não mudou ainda o semáforo, você falou quer mudar. Calma… a gente vai mudar o semáforo agora tem licitação. Mas em um ano, em um ano, a gente fez muito mais do que muitos fizeram. Em oito anos que estiveram aqui. Mudamos a filosofia de pensar Belo Horizonte.

Fonte: O Tempo