Espaço ganhou climatização, estrutura acústica e outras inovações; além dos eventos, existe um projeto para o local ficr aberto diariamente

Reinauguração da Serraria Souza Pinto | Foto: Fred Magno/ OTempo.

A Serraria Souza Pinto, patrimônio histórico tombado que integra o conjunto arquitetônico da Praça da Estação, volta a receber público em Belo Horizonte após um processo de restauração e modernização que preserva sua arquitetura industrial original – marcada pelo uso pioneiro de estruturas metálicas desde 1912 – e a reposiciona como um dos principais espaços para eventos da capital.

Reaberto nesta segunda-feira (6/4), o equipamento já inicia operação com expectativa de ao menos uma centena de eventos até o fim do ano, após investimentos que somam aproximadamente R$ 12 milhões e a implantação de uma estrutura técnica pensada para funcionamento imediato no modelo “plug-and-play”.

A demanda inicial, aliás, já surpreende os novos gestores do espaço, que passou a ser administrado pelo consórcio Nova Serraria, formado pelas empresas Revee e Integritate, que venceu um processo licitatório em 2024. “Quando a gente começou a divulgar que hoje seria a abertura da Serraria, a gente percebeu que a demanda de evento seria muito maior do que havíamos imaginado”, disse o CEO da Revee, Leonardo Donato, durante coletiva de imprensa. “A gente estima que de hoje até dia 31 de dezembro teremos cerca de 100 eventos aqui”, antecipa. Na agenda, diz, há um grande show de uma cantora de renome nacional previsto para o segundo semestre. 

Com capacidade para até 3.500 pessoas em área interna e possibilidade de expansão para ambientes externos, a Serraria retorna ao circuito cultural e de negócios com diversas melhorias, como a instalação de ar-condicionado central – inexistente anteriormente –, requalificação da acústica, reforma completa do telhado, novos camarins e banheiros, além da criação de áreas gastronômicas e adaptação dos espaços para diferentes formatos de eventos.

A proposta é que o local funcione também no dia a dia. “A Serraria vai estar aberta no dia a dia. Você pode vir aqui almoçar, comer um hambúrguer, uma massa. A gente fez isso também pensando no fluxo da região”, detalha Donato. O projeto, no entanto, ainda não foi efetivamente implementado.

O CEO pontua que o volume de recursos aplicados já supera em quatro vezes o previsto inicialmente no contrato de concessão de 20 anos, cujo valor de outorga foi de R$ 650 mil, enquanto o plano previa cerca de R$ 3 milhões em intervenções. O aporte, porém, já alcança R$ 12 milhões, com previsão de novos investimentos ao longo da operação.

“Quando a gente abriu a Revee, uma das nossas metodologias era criar ambientes plug-and-play, onde o produtor vem, coloca na tomada e faz o evento. A gente está apto para receber isso. Então investimos muito para que a preparação do espaço. Mas não vamos parar por aí. Ao longo dos 20 anos de CAPEX, a gente vai investir ainda mais”, garante Donato, que estima um custo operacional anual de R$ 7 milhões.

As intervenções foram conduzidas sob diretrizes de preservação patrimonial, mantendo integralmente as características externas do edifício. “A gente fez a revitalização da fachada mantendo a originalidade, fizemos a revitalização das esquadrias também mantendo a originalidade com empresas especializadas nesse tipo de restauro”, explica o diretor de engenharia e projeto da Revee, Luís Francisco Júnior.

“Externamente, na entrada do estacionamento e entorno, todo o calçamento ele é da época de construção da Serraria. Isso também foi mantido”, completa, inteirando que, ao mesmo tempo, o interior foi adaptado para atender exigências contemporâneas. “A gente reformou o telhado, fizemos implantação de sistema de ar-condicionado central, e refizemos camarotes, banheiros. A gente criou uma estrutura para atender eventos de todos os portes”, complementa.

Desafios

Apesar dos avanços, desafios permanecem. A segurança e a conservação, por exemplo, seguem no radar. “A gente investiu em segurança, com postos externos e internos, mas é difícil garantir que não haverá depredação. A gente está dando vida ao espaço justamente para inibir esse tipo de ação”, estabelece Leonardo Donato.

‘Trazer pessoas para o hipercentro’

O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, que retornou ao cargo seis meses após ter deixado o posto, também celebra a entrega. “Que alegria me deparar com essa belíssima restauração do patrimônio histórico de Minas Gerais. A Serraria tem um papel importante na revitalização do hipercentro da capital”, disse, relembrando “perrengues” no equipamento antes das melhorias: “Nós não tínhamos ar-condicionado, então dia de feira era uma dificuldade. Antes, quando chovia, era impossível realizar espetáculos. Hoje temos uma adequação extremamente potente”.

Em seu primeiro evento público após o retorno à Secult, Oliveira defende ainda que a reabertura insere em uma estratégia mais ampla de reocupação do hipercentro e ampliação da economia criativa. “Entregar um equipamento dessa monta significa trazer pessoas para o hipercentro. E somente com pessoas é possível requalificar os espaços”, exalta, lembrando que o espaço passa a integrar o Circuito Liberdade, ampliando a rede de equipamentos culturais da cidade.

O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigo Reis, por sua vez, destaca em suas falas o impacto econômico da nova configuração. “Antigamente as pessoas tinham que trazer todo o equipamento para dentro, o que encarecia muito os eventos. Agora não. Está tudo aqui. As pessoas chegam e apenas ligam o microfone e o evento já acontece”, elogia.

Reis ressalta, ainda, que “essa é a primeira licitação desses moldes no Brasil”. “A gente está num equipamento revitalizado, que vai gerar recursos para toda a cadeia produtiva”, menciona, enquanto localiza que a FCS permanece responsável pela fiscalização do contrato e participa da receita gerada.

Fonte: O Tempo