Declaração foi dada nesta quarta (25/2) em evento de divulgação de pesquisa inédita de DATATEMPO que traz diagnóstico da gestão do SUS em Minas

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), afirmou nesta quarta-feira (25/2) que os repasses feitos pelo Estado e pela União aos municípios para custeio da saúde são insuficientes diante da demanda crescente enfrentada pelas prefeituras. Segundo ele, os governos não podem “mandar só a cota” prevista e precisam ampliar a participação no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A declaração foi feita durante a 2ª Jornada Mineira da Saúde, promovida pela Frente Mineira de Prefeitos (FMP), em Belo Horizonte. O evento tem como foco principal expor pesquisa inédita do Instituto DataTempo, feita em parceria com a Brasil Comunicação, que aponta que 83% dos municípios mineiros consideram insuficientes os recursos para a saúde. Participam do encontro gestores municipais, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
“Belo Horizonte não coloca apenas a cota que tem que colocar. Ultrapassa essa cota em quase 30%”, afirmou o prefeito. “O Estado não adianta mandar só o que é obrigado a mandar. O governo federal também não. Porque o município acaba ficando com um saldo muito alto para cuidar de todo mundo.”
O prefeito detalhou o peso da saúde nas contas da capital e afirmou que a conta “já não vem fechando”.
“A cada R$ 1 dos cofres de BH, R$ 0,31 vão para a saúde. E ainda é pouco, ainda falta. Até porque Belo Horizonte não atende só belo-horizontinos. A gente gostaria muito que o governo do Estado e o federal entendessem isso rapidamente”, declarou.
Damião ressaltou ainda que, embora o mínimo constitucional determine a aplicação de 15% da receita pelos municípios e 12% pelos estados, a capital mineira já ultrapassou esse patamar.
“Belo Horizonte não atende só belo-horizontino”
O prefeito também destacou que a capital mineira atende pacientes de diversas regiões do Estado, o que pressiona o orçamento municipal. Segundo ele, se o atendimento fosse restrito à população residente, o custeio seria mais equilibrado.
“Belo Horizonte não cuida só de Belo Horizonte. Recebe pacientes do Estado inteiro. Se cuidasse apenas da própria população, o dinheiro seria suficiente”, disse.
Os dados serão apresentados durante o encontro e devem embasar um documento oficial com propostas aos futuros candidatos ao Governo de Minas e à Presidência da República.
Transformação digital como estratégia
O evento cujo nome é “Transformação Digital no SUS e o Papel das Prefeituras” também debate o impacto da tecnologia aplicada no sistema de saúde. Nesse contexto, o prefeito defendeu a digitalização como ferramenta estratégica para ampliar eficiência e reduzir filas no SUS. Ele citou a telemedicina e a integração de prontuários como exemplos de soluções capazes de otimizar o atendimento.
“A tecnologia vem para priorizar situações e integrar sistemas. Muitas vezes a pessoa pode resolver o problema de casa, sem precisar ir a uma unidade de saúde”, afirmou.
Damião também destacou que Belo Horizonte está disposta a compartilhar experiências com municípios do interior que iniciam processos de modernização. “Não precisa errar para aprender. Se já aprendemos, podemos orientar.”
A jornada reune ainda representantes da Fundação Dom Cabral, da Rede Mater Dei de Saúde e da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, reforçando o caráter institucional do encontro.
Fonte: O Tempo

