Prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil) embarca em maio para a China, na sua segunda viagem ao país asiático em sete meses

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), embarca em maio para a China, na sua segunda viagem ao país asiático em sete meses. No último dia 5, uma missão formada por integrantes da área ambiental da prefeitura embarcou para a nação do presidente Xi Jinping, com previsão de permanência por 14 dias. O objetivo é conhecer técnicas de despoluição ambiental para serem implantadas na lagoa da Pampulha.
Em entrevista a O TEMPO, o prefeito justificou a preferência por viagens ao país dizendo que “a maioria das coisas estão acontecendo lá” e citou, além dos avanços na área ambiental, a tecnologia desenvolvida pelo país comunista na área de monitoramento urbano. “(As câmeras) do Centro de Operações de Xangai, cidade com quase 20 milhões de habitantes, detectam lixo (a ser recolhido nas ruas) e abrem um chamado para a empresa responsável pelo serviço. Ao mesmo tempo, um cronômetro é ligado. Se a empresa não recolhe aquele lixo em ‘x’ minutos, o serviço não é pago”, relata o prefeito.
Questionado se, com tantas idas à China, não teria medo de ser chamado de “comunista”, Damião lembrou viagens que fez ao país quando não era prefeito. “Eu sou comunista porque eu fiz as Olimpíadas de Pequim? Então, quer dizer, quando eu fiz a Olimpíada de Pequim (em) 2008, era o quê? Político, entrou na China é comunista?”, questionou o prefeito, que é jornalista. Damião avalia que “ninguém aguenta mais” as classificações ideológicas que vêm sendo dadas a políticos no Brasil.
“Essa política é chata pra caramba. Você vai me desculpar, mas esse trem é chato pra caramba. Eu sou nada, irmão, eu sou nada. Eu vou para Israel, eu vou para a China, eu vou pra onde tem tecnologia para buscar para o meu país”, disse. Em junho do ano passado, o prefeito esteve em Israel também para conhecer sistemas de vigilância urbana, mas teve que regressar antes ao Brasil após o início de conflito entre o governo de Benjamin Netanyahu e o Irã.
Na viagem de outubro que fez à China, Damião anunciou acerto de empréstimo de R$ 1 bilhão junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco do Brics, entidade que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os recursos serão utilizados na reforma do Anel Rodoviário. Para acessar os recursos, é necessária a aprovação de projeto na Câmara Municipal, o que ainda não ocorreu. O NBD é comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
O primeiro escalão da Prefeitura de Belo Horizonte, sob o comando de Damião, também “tem um pé” no país asiático. O chinês naturalizado brasileiro Qu Cheng é secretário de Relações Institucionais do governo municipal, o setor da administração da cidade encarregado do contato com os governos federal e estadual e com a iniciativa privada. Em breve, Cheng, que participa da missão iniciada pela prefeitura ao país no dia 5, ficará ainda mais forte no governo.
A reforma administrativa enviada pela prefeitura à Câmara prevê a criação da Secretaria de Relações Internacionais, que será assumida por Cheng. Nascido em Pequim, o auxiliar de Damião tem 31 anos e se mudou aos 2 para Brasília, onde o pai era professor universitário de física. A família teve passagem também pelo Canadá, após transferência do pai para outra escola. Antes de entrar para a prefeitura, o secretário trabalhava para empresas chinesas em São Paulo.
Fonte: O Tempo

