Uma cena no Parque Municipal chamou a atenção, enquanto o prefeito prometia soluções, uma mulher dormia atrás de um banco

Mulher dorme atrás de um banco enquanto o prefeito de Belo Horizonte discursa sobre ações para tratar da população em situação de rua | Foto: Hermano Chiodi / O Tempo

Uma cena comum no centro de Belo Horizonte evidenciou, nesta sexta-feira (17/4), o tamanho do desafio que Álvaro Damião (União) terá à frente da administração municipal. Enquanto o prefeito concedia entrevistas, apresentava prioridades de governo e dizia que tenta solucionar a questão da população em situação de rua rua, uma mulher dormia atrás de um banco do Parque Municipal, ao lado de um cachorro, a poucos metros do evento oficial.

O atendimento à população em situação de rua é um dos eixos dos chamados projetos “transformadores” anunciados pelo prefeito. Batizada de “Viver de Novo”, a iniciativa prevê ações de acolhimento, oferta de moradia, atendimento em saúde e geração de renda. O contraste entre a cerimônia com convidados e a presença da mulher deitada no chão expôs, no entanto, a dimensão do problema que a gestão pretende enfrentar.

Damião reconheceu a complexidade do tema, mas afirmou que a prefeitura vai concentrar esforços para avançar na área.

“Nós quadruplicamos o número de passagens no último ano de pessoas que pediam para poder voltar e a gente ajudou. Mas aqueles que aqui ficarem vão ter lugar para dormir, vão ter trabalho, vão ter saúde e nós vamos dar educação para as crianças menores dessas pessoas que vivem hoje nas ruas de Belo Horizonte”, disse.

Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), do programa Polos de Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostram que mais de 15 mil pessoas vivem pelas ruas da capital mineira, um crescimento de 30% nos últimos cinco anos.

O prefeito também ressaltou que o problema não se limita à capital mineira.

“Não é mágica. Muita gente trata isso como se fosse um problema da prefeitura para a prefeitura resolver. Não. Esse problema é social e nós temos que fazer com que a população entenda isso. Aquela pessoa que está ali não foi inserida por um problema da prefeitura, mas por um problema social do Brasil e do mundo”, afirmou.

Moradias no centro

Outro ponto destacado pelo prefeito é a necessidade de ampliar a presença de moradores na região central da cidade. Segundo ele, o esvaziamento fora do horário comercial contribui para a sensação de abandono.

“Se a gente passar pelo centro de Belo Horizonte à noite e olhar depois das 19 horas para cima, vai estar tudo escuro. Porque ninguém mora aqui. Fechou o comércio, acabou. Não tem luz acesa porque não tem ninguém vivendo aqui”, disse.

A estratégia, segundo Damião, é incentivar a ocupação do centro, com prioridade para pessoas de menor renda.

“É isso que nós vamos trazer para a cidade, priorizando aqueles que têm condições mais baixas e que gostariam de morar no centro”, completou.

Fonte: O Tempo