Lançamento acontece no próximo sábado (13), na Livraria Jenipapo, na Savassi

Recentemente ele estampou manchetes por tristes episódios, como as mortes da leoa Pretória e da chimpanzé Kelly. Tem gente que torce o nariz pelo confinamento dos animais. Mas, uma coisa ninguém pode negar: o Zoológico de Belo Horizonte faz parte da história da cidade e marcou e ainda marca a infância de muita gente. E foi isso que motivou a historiadora Regina Horta Duarte a escrever o livro “Zoológico – BH. A Cidade de Cada Um”, 42º volume da coleção idealizada pelos jornalistas José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião.
A publicação será lançada no próximo sábado (13), das 11h às 14h, na Livraria Jenipapo, na Savassi. O livro foi viabilizado com o patrocínio da empresa Tecnokor, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Instalado no coração da Pampulha e localizado em uma área de transição entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica, o Zoológico completa 66 anos como um dos espaços mais emblemáticos da capital mineira. Desde sua inauguração, em 1959, o local ocupa um papel central no imaginário da população — tanto por episódios marcantes, como a fuga de uma onça-pintada nos anos 1970, quanto por transformações profundas que o levaram de um espaço de lazer focado no “exótico” a um centro dedicado à pesquisa, conservação e educação ambiental.
Dividido em quatro capítulos, a obra mescla a investigação histórica com memórias pessoais da autora, que cresceu visitando o Zoo ao lado do pai, Manoel, hoje com 98 anos. As lembranças, marcadas pelo encantamento infantil, carregam também percepções que só ganharam forma na vida adulta.
“Minha lembrança mais forte é a alegria de caminhar ao lado do meu pai. Não me recordo de desconforto pelas condições precárias, mas lembro do mau cheiro perto das jaulas. Hoje percebo como aquele era um ambiente insalubre”, relata Regina. Décadas depois, já pesquisadora dedicada à história dos animais, ela revisitou o espaço para compreendê-lo sob novas perspectivas.
Percepções equivocadas
Segundo a historiadora, o interesse em escrever o livro surgiu das reações negativas que parte da população tem em relação aos zoológicos — muitas vezes baseadas em julgamentos precipitados.
Ela cita, por exemplo, a confusão frequente entre a vegetação seca do espaço e suposta falta de cuidado. “O Zoológico está em área de Cerrado. Há épocas do ano em que a paisagem seca é natural, mas muitos visitantes acham que é abandono e chegam a reclamar com funcionários”, explica a autora.
Atualmente, o Zoobotânico ocupa 1,4 milhão de metros quadrados e abriga mais de 3 mil animais de cerca de 250 espécies, além de contar com setores especializados para preservação vegetal. “Existem protocolos rígidos, certificações, equipes com décadas de experiência e profissionais que nunca deixaram de trabalhar — nem durante a pandemia. Mas pouca gente se lembra disso”, diz Regina.
Rotinas, estudos e cuidados invisíveis ao público
No livro, Regina Horta – que também é professora de História da UFMG e pesquisadora – apresenta bastidores pouco conhecidos do cotidiano do Zoológico: a preparação cuidadosa das dietas de cada espécie; o monitoramento diário de gorilas, aves, répteis, elefantes e lobos-guará; pesquisas conduzidas em parceria com a Escola de Veterinária da UFMG; o atendimento e a recuperação de animais resgatados do tráfico, muitos deles impossibilitados de voltar imediatamente à natureza.
A historiadora também destaca cenas singulares observadas em documentos e visitas: gorilas que criam vínculos afetivos com tratadores, aves que reconhecem seus cuidadores e felinos que participam de atividades de enriquecimento ambiental desenvolvidas para estimular comportamentos naturais.
“Descobrir o Zoológico como espaço de pesquisa foi fascinante. Ele é um aliado fundamental na conservação da vida silvestre em um momento de crescente destruição dos habitats”, afirma.
Para escrever o livro, Regina se debruçou em acervos do próprio Zoológico, do Arquivo Público da Cidade e materiais em processo de digitalização, como fitas VHS. O trabalho permitiu reconstruir episódios marcantes e políticas públicas, entre elas a criação da Fundação ZooBotânica, em 1991 — extinta em 2017 e incorporada à Fundação de Parques Municipais e ZooBotânica, responsável ainda por parques e cemitérios da cidade.
Outra frente destacada no livro é a educação ambiental, realizada há décadas com públicos diversos: crianças, adolescentes, idosos, estudantes com deficiência visual e escolas públicas.
“O Zoológico é um lugar que reúne famílias, desperta o interesse das crianças e ensina sobre a vida silvestre. É um patrimônio de Belo Horizonte e precisa ser defendido como tal”, afirma a autora.
SERVIÇO
O quê. Lançamento do livro “Zoológico — BH. A Cidade de Cada Um”, de Regina Horta Duarte
Quando. 13/12 (sábado), das 11h às 14h
Onde. Livraria Jenipapo (rua Fernandes Tourinho, 241, Savassi)
Quanto. Entrada gratuita
O livro estará sendo vendido a R$ 50
Fonte: O Tempo

