Sobrado eclético da rua Silva Jardim, n. 116, projetado por Lapertosa em 1922 para Antônio Rigotto. Imóvel tombado. (Crédito: Ulisses Morato, 2023)

Octaviano Lapertosa integrou as primeiras levas de imigrantes europeus que se transferiram para Belo Horizonte entre o fim do século XIX e o início do século XX, para prestar os serviços profissionais necessários à construção da nova capital de Minas Gerais e, como tal, tornou-se um dos seus notáveis arquitetos pioneiros.

Natural de Roma, Itália, e nascido em 1889, Octaviano seguiu a profissão do seu pai, o arquiteto José Lapertosa, que também exerceu o seu ofício em Belo Horizonte. Grande parte das edificações projetadas por Octaviano, principalmente destinadas à iniciativa privada, foi erguida nas décadas de 1910 e 1920, seguindo os cânones do ecletismo, estilo arquitetônico então vigente na cidade. Os traços delineados por ele na configuração dos seus projetos denotam o pleno domínio das técnicas de composição de inspiração neoclássica.

Em sua profícua atuação na capital mineira, o ilustre profissional teve participação significativa na produção arquitetônica da época, projetando cerca de 300 edificações para os usos residencial, comercial, religioso, industrial, institucional e de serviços. Entre seus clientes de destaque, podemos mencionar a Sociedade Italiana de Beneficência e Mútuo Socorro, a Companhia Industrial Belo Horizonte, o renomado médico, professor e político brasileiro Antônio Aleixo e o desembargador Antônio Augusto Veloso, tio do escritor Cyro dos Anjos.

Residência do desembargador Antônio Augusto Veloso (1916), rua Bernardo Guimarães, n. 1.200, atual Centro Cultural Idea. Imóvel tombado. (Fonte: Daniel Kalil, s.d.)

A personalidade empreendedora e a sólida formação de Lapertosa permitiram-lhe atuar em relevantes campos de atividade na capital mineira. Além de exercer o ofício de arquiteto, o italiano trabalhou na construção de edifícios e integrou o seleto grupo de intelectuais que fundou a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte (EABH), em 1930 — o primeiro curso da América Latina desvinculado das escolas de Belas Artes e de engenharia (politécnicas).

Antes de fundar a EABH, Lapertosa foi professor de ensino superior na Escola Mineira de Agronomia e Veterinária entre 1924 e 1926, período em que morou no antigo Hotel Royal, situado na rua da Bahia, conforme o Almanak Laemmert — extinto anuário que registrava a vida administrativa, mercantil e industrial do país. Esse estabelecimento de ensino, que décadas depois viria a abrigar o Teatro Universitário da UFMG, também foi projetado pelo próprio arquiteto.

Retrato de Octaviano Lapertosa no início do século XX. (Crédito: acervo da família Lapertosa).

Em 1944, aos 55 anos, Octaviano Lapertosa faleceu em Belo Horizonte, deixando um importante legado de obras que marcaram os primórdios da paisagem urbana da cidade, todas elas reconhecidas como patrimônio cultural do município, além de sua contribuição para a fundação do ensino de arquitetura em Minas Gerais.

Obras projetadas por Octaviano Lapertosa

Casa da Loba (1924), em registro anterior à sua descaracterização. Imóvel tombado, situado na rua Itapecerica, n. 579. (Crédito: Lab. de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos).
Casa Falci (1920), imóvel tombado localizado na avenida Afonso Pena, n. 505. (Crédito: Guia do Bem).
Igreja Metodista (1916), situada na Praça Floriano Peixoto. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem)
Antiga Escola Mineira de Agronomia e Veterinária (1923), rua Carangola, n. 300, imóvel tombado. (Crédito: Arquivo Público Mineiro, s.d. / Restaurada com IA).
Casa com porão alto, datada de 1918, situada na esquina das ruas Álvares Maciel e Manaus. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).
Casa térrea com porão e alpendre lateral (1913), situada na rua Maranhão, n. 1007. Imóvel tombado. (Crédito: Guia do Bem).

Fonte: BHAZ