Prefeito defende retorno do serviço, enquanto especialistas alertam para riscos a pedestres e usuários

Em meio às discussões sobre regras, fiscalização e riscos à segurança com o retorno das patinetes elétricas em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (18), o prefeito Álvaro Damião (União) afirmou que os equipamentos devem ser usados exclusivamente como meio de transporte.
O serviço foi retomado na região Centro-Sul e parte da regional Oeste, por meio de operação de 1,500 equipamentos, com controle por aplicativo, limitação de velocidade e monitoramento por geolocalização.
“Patinete não é para poder brincar. Patinete é para você sair de um lugar para o outro com mais rapidez. Apenas isso”, disse o prefeito.
Regras ainda em definição
Apesar de a PBH já ter informado que as patinetes elétricas poderão circular em vias com velocidade regulamentada de até 40 km/h, áreas de pedestres, praças, parques e ciclovias, Damião indicou que ainda não há definição completa sobre todos os aspectos da operação, como os espaços prioritários de circulação. “A prefeitura vai determinar junto com a empresa para não tomarmos nenhuma decisão precipitada”, afirmou.
Segundo ele, a expectativa é de uso consciente pela população, sem necessidade de punições. “Eu acredito que o povo de Belo Horizonte vai fazer tudo certinho”, diz.
Fiscalização e controle
De acordo com o superintendente de Mobilidade Urbana (Sumob), Rafael Murta, a operação será acompanhada por fiscalização da Guarda Municipal, BHTrans e pela própria Sumob.
A estratégia inicial será de orientação aos usuários, com foco em conscientização sobre regras como uso individual do equipamento e proibição para menores de idade. “O próprio aplicativo faz a regulação. Em áreas restritas, o patinete pode até parar de funcionar, e em outras ele reduz automaticamente a velocidade”, explicou.
A tecnologia de geolocalização também organiza os pontos de estacionamento.
Especialistas alertam para riscos
Apesar das garantias da prefeitura, especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia apontam preocupações com a segurança. O consultor em trânsito Silvestre de Andrade critica, por exemplo, a circulação em calçadas e o fato de o uso de capacete não ser obrigatório.
“Se você está usando um veículo motorizado que não proporciona nenhuma proteção, você fica completamente exposto. As bicicletas, por exemplo, tem o uso do capacete como obrigatório”, afirmou.
Já o professor do Cefet-MG Agmar Bento avalia que até mesmo a velocidade permitida em áreas de pedestres pode representar risco. “Seis quilômetros por hora é quase o dobro da marcha de uma caminhada. É um perigo tanto para o usuário quanto para a pessoa que está no entorno”, disse.
A prefeitura afirma que o novo modelo é mais seguro, com equipamentos mais estáveis e monitoramento em tempo real, e defende o serviço como alternativa de mobilidade para trajetos curtos.
Fonte: Hoje em Dia

