De acordo com a Sumob, os veículos devem estar à disposição já em março

Teste foram feitos em 2025 | Foto: Maurício Vieira / Jornal Hoje em Dia

Nada menos que 1,5 mil patinetes elétricas estarão nas ruas, avenidas, ciclovias, praças e até calçadas de Belo Horizonte até o fim deste mês. O dia exato ainda depende dos trâmites legais para o credenciamento da empresa definida pela prefeitura para operar o serviço. Segundo a administração municipal, os novos equipamentos são mais modernos, seguros e estáveis. No entanto, especialistas em trânsito criticam a retomada, principalmente por conta do histórico de graves acidentes.

Os usuários das patinetes só poderão circular nos trechos de vias com velocidade máxima de até 40 km/h. Segundo o superintendente de Mobilidade Urbana (Sumob), Rafael Murta, o controle é feito pelo próprio equipamento por georreferenciamento.

Quem tentar percorrer locais com limites superiores ficará a pé, pois o equipamento irá travar. O mesmo controle de segurança será acionado nas áreas com a presença de pedestres. “Nas calçadas, as patinetes automaticamente reduzem a velocidade”, diz Murta.

Em BH, a idade mínima para alugar o equipamento será de 18 anos. Questionado sobre a possibilidade de adultos repassarem a patinete para crianças e adolescentes, o superintendente diz que espera “bom senso” da população, mas garante que equipes da Guarda Municipal, BHTrans e a própria Sumob farão a fiscalização. Os agentes também irão coibir o transporte de passageiros e animais. A legislação não prevê multas.

Quanto vai custar andar de patinete elétrica em BH?

Mesmo às vésperas do retorno das patinetes, o preço final para utilizar o serviço ainda não está fechado. Conforme a Sumob, os usuários terão duas opções: pagar por minuto ou adquirir planos mensais. No caso do aluguel avulso, somente o desbloqueio deve custar entre R$ 1 e R$ 3, com acréscimo de R$ 0,50 a R$ 1 por minuto rodado. Os valores, caso se confirmem, estarão semelhantes ao que é cobrado no Rio de Janeiro.  

O Hoje em Dia tem tentando contato com JET Patinetes Elétricos, empresa escolhida para retomar a operação dos equipamentos, desde essa terça-feira (3). O espaço segue aberto.

Especialistas criticam circulação nas áreas de pedestres e uso facultativo de capacete

A volta das patinetes elétricas é questionada por especialistas de trânsito. Além do aval dado pela prefeitura para a circulação nas calçadas, outro ponto criticado é a desobrigatoriedade do uso do capacete. Além disso, o histórico de transtornos ocorridos na metrópole também conta. Em 2019, último ano em que os equipamentos – mesmo sem regulamentação – ainda rodavam pelas ruas de Belo Horizonte, a média era de um acidente a cada dois dias. Na época, um homem morreu após sofrer uma queda. Ele bateu a cabeça em bloco de concreto.

Agora, sete anos depois, a velocidade máxima permitida será de 6 km/h em calçadas, praças e parques. Para o professor dos cursos de Trânsito e de Engenharia de Transportes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas (Cefet-MG), Agmar Bento, o limite estabelecido coloca todos em risco. “Seis quilômetros por hora é quase o dobro da marcha de uma caminhada. É um perigo tanto para o usuário quanto para a pessoa que está no entorno”, explica o especialista.

Mesma opinião sobre o risco de acidentes nas calçadas tem o consultor na área de transportes e trânsito Silvestre de Andrade, que fez questão de criticar o uso facultativo do capacete. Segundo ele, o equipamento de segurança deveria ser um item obrigatório. “Se você está usando um veículo motorizado que não proporciona nenhuma proteção, você fica completamente exposto. As bicicletas, por exemplo, tem o uso do capacete como obrigatório”, afirmou.

Testes de segurança e avaliações constantes

Segundo a prefeitura de BH, testes em patinetes elétricas foram realizadas em diferentes regiões da cidade em julho e agosto de 2025. “O objetivo da ação foi o de analisar, na prática, as condições de operação e segurança para a circulação das patinetes em vias públicas. As informações coletadas e analisadas subsidiaram a definição de critérios de operação que constaram do Termo de Credenciamento para empresas operadoras”, diz a PBH.

Além disso, segundo Rafael Murta, a circulação nas áreas permitidas será avaliada com frequência, com possibilidade de replanejamento. “Se a gente perceber que há uma necessidade de alteração, a gente vai fazer isso”, acrescenta o superintendente da Sumob.

Fonte: Hoje em Dia