A retirada de pauta foi um pedido de um dos autores da proposta, que alegou falta de votos suficientes para avançar ao segundo turno

Álvaro Damião (União Brasil), prefeito de BH.

Projeto de Lei (PL) 291/2025, que ampliava o poder de fiscalização dos vereadores sobre órgãos públicos, foi retirado da pauta da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) nesta segunda-feira (10). Na prática, a proposta autorizava os parlamentares a entrarem em locais como obras e centros de saúde para acompanhar o trabalho da administração pública.

A retirada da pauta foi um pedido de um dos autores do projeto, vereador Pablo Almeida (PL). Segundo ele, a proposta, que tramita em primeiro turno, não teria “votos suficientes” para avançar para a segunda etapa de votação — mesmo com o outro autor, vereador Rudson Paixão (Solidariedade), integrando a base do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) no Legislativo.

Antes de o PL ser retirado de pauta, o prefeito afirmou, durante coletiva de imprensa na sede do Executivo, que não era totalmente contra a proposta, mas que seria necessário refletir sobre a forma como a fiscalização seria feita. “Fui vereador por oito anos, dois mandatos. É função do vereador fiscalizar. A forma como vai se fiscalizar um centro de saúde é que precisa ser estudada”, disse.

De acordo com Damião, caberia à Câmara “entrar em um acordo”. “‘Vamos chegar lá e queremos ver na hora’. Tá, quer ver na hora, mas vai invadir a sala de um médico? Não pode invadir sala de médico. Isso é o que está sendo estudado”, explicou.

O projeto também é alvo de polêmica entre outros parlamentares. O vereador Dr. Bruno Pedralva (PT) afirma que a proposta “viola completamente qualquer limite do bom senso” e que, apesar de a fiscalização ser uma das atribuições do mandato, não se pode “chegar a uma UPA, a uma CTI, a um posto de saúde, abrir porta de consultório, filmar usuários, trabalhadores e expor nas redes sociais”.

No início deste ano, na Região Metropolitana de BH, o prefeito de Santa Luzia, Paulo Bigodinho (Avante), publicou nas redes sociais o momento em que entrou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São Benedito e demitiu um médico da sala de urgência que se recusou a reforçar o atendimento geral.

Fonte: Itatiaia