Com direito à trilha sonora executada ao vivo por grupo de chorinho, espetáculo aborda relação da memória, do esquecimento e da imaginação

Uma peça de teatro infanto-juvenil inspirada na vida e obra de Chiquinha Gonzaga estreia neste sábado (11) no Teatro Marília, no Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte. Com uma trilha sonora executada ao vivo e repleta de outros clássicos da compositora de “Ó Abre Alas”, o espetáculo “Francisca Menina no País das Melodias” aborda a relação da memória, do esquecimento, da imaginação, e ensina sobre a preservação da história.
A montagem fica em cartaz até 19 de abril, com apresentações sempre aos sábados e domingos. A classificação é livre, os ingressos, que podem ser adquiridos no site da Sympla, custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). A peça oferece acessibilidade em libras.
O espetáculo conta a história da menina Fran. Entediada na casa da avó e sem acesso a distrações eletrônicas, a protagonista embarca em uma aventura musical, chegando ao “país das melodias”, lugar onde habitam as memórias musicais. Uma boneca aparece e se apresenta para a menina como a memória de Chiquinha Gonzaga. Numa aventura cheia de sons e música, boneca e menina se unem para salvar o país da melodia do terrível “Monstro do Esquecimento”.
Inspiração é mulher de vanguarda
“Chiquinha Gonzaga, que completaria 180 anos em 2027, é uma artista fundamental da cultura brasileira e uma mulher disruptiva e à frente do seu tempo”, explica Heloisa Mandareli, uma das idealizadoras da peça. “Buscamos então dar visibilidade a sua trajetória como uma pioneira: compositora, instrumentista e maestrina. Tudo isso sendo uma mulher negra num contexto extremamente desigual”, acrescenta.
Durante o espetáculo, a trilha sonora é executada ao vivo por um grupo feminino de chorinho, as “Chorosas”. Segundo Júlia Nascimento, diretora musical da peça, a inspiração principal para a criação do repertório foi a própria obra de Chiquinha Gonzaga.
“Buscamos incluir composições clássicas da compositora, assim como, trazer ao público obras não tão conhecidas, expandindo o conhecimento da plateia sobre sua obra que perpassa por diferentes estilos que contempla o maxixe, choro, canção e a marcha fúnebre”, explica.
Quem é Chiquinha Gonzaga?
Francisca Edviges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga (1847-1935), foi compositora, pianista e regente. Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, ela é autora da marchinha de Carnaval “Ó Abre Alas”.
Filha de José Basileu Alves Gonzaga, primeiro-tenente, de família ilustre do Império, e de Rosa Maria Neves Lima, filha de uma escravizada, Chiquinha recebeu a mesma educação dada às crianças burguesas da época, estudando português, cálculo, francês e religião e música.
Aos 11 anos apresentou sua primeira composição, uma cantiga de Natal intitulada “Canção dos Pastores”, iniciando sua trajetória musical. A obra de Chiquinha é estimada em trezentas composições, incluindo partituras para dezenas de peças teatrais.
Serviço:
Peça Francisca Menina no País das Melodias
Quando: 11, 12, 18 e 19/4, sábados e domingos, às 16h e 19h
Onde: Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586. Santa Efigênia)
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), no site da Sympla
Acessibilidade em libras.
Fonte: Hoje em Dia

